Crônica - A luta pela liberdade e autonomia Universitária - Manoel Messias Pereira

 



A luta pela liberdade e autonomia Universitária


Quantas vezes tentamos estabelecer o diálogo com o nosso bem próximo, ou com o nosso próximo um pouquinho mais distante. E sempre o diálogo tem que ter um sentido. Quando iniciamos acreditamos que alguém vai nos enxergar, vai nos ouvir, vai nos tocar, vai nos sentir. mas muitas vezes iniciamos um diálogo e nos sentimos como um pregador que fala aos ventos. Ficamos apenas como um monólogo e se algum fingir que está a nos ouvir, somente está fingindo e aí a ressonância é melancólica.

Em educação ouvi muito, escrevi bastante. E indaguei mais ainda. E muitas anotações ficaram para uma sempre e precisa reflexão.

No inicio deste século recordo que ouvi um rapaz lá do Rio de Janeiro, chamado Álvaro Neiva que disse, "É preciso reagir a falência da Educação". Fiquei pensando onde inicia e onde caminha e como essa falecia vai se dar. é uma pergunta que na hora não tinha uma resposta formulada.

Neste mesmo momento fiquei ouvindo um professor que chamava Roberto Laher, esse rapaz era presidente da Andes  do Sindicato dos Docentes das Instituições de Ensino Superior e apontava os equívocos da politica implementada na época pelo governo federal, que na época o Brasil tinha no poder o sociólogo e professor Fernando Henrique Cardoso, que diga-se de passagem seguia cegamente as diretrizes do Banco Mundial. E assim via o Brasil abandonar a possibilidade de produzir conhecimento.

E que a politica em curso na época de FHC desejava acabar com a universidade tal como ele foi estabelecida pela nossa Constituição de 1988. E que essa universidade autônoma que é capaz de autogovernar em matéria financeira, acadêmica, e administrativa, assentada nos princípios de um contexto entre o ensino, pesquisa e extensão no caso das universidades pública.

E enquanto que dizia que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação preconizava a diferenciação das instituições do ensino superior, criando instituições como centros universitários e Institutos superiores.

E prosseguia dizendo que o Plano Diretor da Reforma do Estado, pretendia que as universidades públicas deixassem de serem públicas ou melhor instituições do Estado e transformassem em organizações sociais ou seja de direitos privados. E que houvesse ainda uma política de desregulação do mercado.

E o Conselho Nacional da Educação não seria um órgão do Estado, mas do governo. E o mesmo vício estaria também no Conselho Federal de Educação. Porém sem ignorar a pratica de favorecimentos.

E que essas diretrizes tinha o Banco Mundial para a América Latina e tem como uma premissao o que esses países vão ocupar na economia mundial. Ou seja não requer a produção do conhecimento. As velhas tese neo-coloniais são as políticas de governos.

E em contraponto a isso haviam as políticas dos trabalhadores, e neste caso do Brasil representados por forças como a Andes, a Cut, MST, OAB, CNBB, os partidos de oposição que compunham o Fórum Nacional de Lutas.

E em paralelo a isso há todo esforço com as entidades da Educação em defesa do ensino público e da Universidade.

E neste contexto a luta dos trabalhadores é contra as privatizações e na defesa do trabalho, da pesquisa nas universidades públicas em busca de concursos públicos num regime jurídico único.

O desmonte é bem seletivo mas intenso. As verbas estão vinculadas ao setor produtivo como estão nos unidos setoriais que tivera os seus centros de pesquisas destroçados. E neste contexto as pesquisas passaram a ser operacional e não passou a garantir o avanço do conhecimento científico, tecnológico e também cultural.

E assim a frase de que o Brasil era o "oásis" para o futuro, na industrialização passou a não ser. Sendo assim somos apenas o mercado emergente. Viramos apenas o comprador de tecnologia. E em tempo de pandemia isto ficou mais evidente.

Hoje pagamos na indústria farmacêutica 80% do preço do medicamento a custo do conhecimento. E assim criamos o que temos um apartheid educacional  e o cientifico planetário.

Hoje o Ministério da Educação, o Banco Mundial tem como conceito um pensamento liberal..

A autonomia é o romper com as amarras do Estado com a instituição do Banco Mundial, de modo a permitir que a universidade possa interagir livremente com o mercado. Caminhar com seus próprios pés. Porém as verbas estão associadas aos indicadores quantitativos e a produtividade e somente isto é o que conta. E com isto há um estrangulamento financeiro e da politica de autonomia. O setor de serviço fica atrofiado e os professores devem serem apenas homens de negócios.

O nosso susto é quando observamos uma ilha, que resiste com um socialismo aqui ao lado, com uma única universidade, com ensino superior gratuito, produzindo vacinas, não tendo ninguém morrendo de Covid-19. Sendo um país reconhecido pela ONU como o numero um em educação básica formando médico e ajudando simultaneamente outros povos. E nós aqui assistindo Ministros caírem a todo o momento, um negacionismo científico gigantesco, e uma miséria sendo distribuída como ajuda a esses brasileiros acostumados com migalhas. 

E é esse diálogo que falta nas massas, em todos os sentidos.do contrário eu continuo num eterno monólogo. E afastando quem de direito a dar-me uma atenção precisa. Por gentileza não me deixe como o pregador que ala aos ventos, pois senão acabo sendo dominado pela melancolia somente. Com isso eu também digo como Álvaro Neiva, é preciso reagir a falência da Educação.


Manoel Messias Pereira

professor, poeta

São José do Rio Preto -SP.




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