Artigo - Movimento Negro rio-pretense há 40 anos - Manoel Messias Pereira

 



Guem, o percussionista nigerino, que abrilhantou o evento


Movimento Negro rio-pretense há 40 anos

Há quarenta anos a cidade de São José do Rio Preto- SP,  no interior paulista teve a experiência da 1a. Semana Afro Brasileira realizada por um grupo de jovens, que ousou em criar a Fusocaab -Fundação Sócio Cultural e Assistencial Afro Brasileira com a finalidade de difundir a cultura afro com o objetivo do melhor posicionamento do negro na sociedade brasileira.

João Aparecido da Cruz


Esse foi o sonho do jovem estudante, João Aparecido da Cruz, que era um rapaz morador do Jardim Urano em são José do Rio Preto -SP, que aqui trabalhou como mascate, como professor do Mobral, depois foi  auxiliar de escritório, cobrador de ônibus, jornaleiro, depois funcionário público da Prefeitura. E havia sentido todos os problemas enfrentados pelos jovens negros no município e desta forma um dia conversou com a professora Dinorath do Valle, excelente escritora, cronista rio-pretense, e deste diálogo surgiu a necessidade a proposta da criação de um grupo de estudos obre a Cultura Afro assunto esse que encontrei lendo o jornal "A Folha de Rio Preto" 

E assim encontramos todos nós, João Aparecido da Cruz, José Carlos Galvão, José Afonso Imbá, João Roberto Mendes, Ligia Francelino, Hélio Alves, a Cleide que era filha do Manelão que trabalhou  e a Maria das Graças ambas advogadas, Paulo Cesar, José Lucas Chandobeck e eu Manoel Messias Pereira, E mais tarde juntou-se a nós José Eduardo Pereira um grande sujeito, um amigo e irmão. E foi uma reunião até certo ponto tensa pois haviam um grupo de pessoas intitulado "Traço Cultural Rio-pretense" que na época teceram severas críticas ao nosso propósito, e outras pessoas contrárias a nossa busca fraterna de conhecimentos. Essa reunião foi feita a noite num domingo de agosto de 1979. 

No outro dia havia manifestações desairosas em relação a essa reunião. O que fez o grupo não ter uma recepção favorável da sociedade de opinião. Dai a necessidade de ir reunindo-nos, sem maiores divulgações. E as reuniões aconteciam na casa do João Aparecido na rua José Caetano de Freitas, 555 no Jardim Urano em São José do Rio Preto- SP.

Destas reuniões chegou-se a conclusão da criação de uma associação que congregassem todos esses nossos sonhos. Porém quando começamos a definir o nome, uma vez que a Fusocaab era uma associação, porém surgir a ideia de colocar o nome de Fundação. 

Como escolhemos João Aparecido como o primeiro presidente da entidade, e foi ele que buscou organizar o Estatuto, o evento foi traçado no dia de sua maioridade quando completou 18 anos, no dia 7 e 8 de fevereiro de 1981, organizamos a Primeira Semana, na qual fizemos uma audição de piano e poesia, uma roda de Samba com o grupo do Sergião do bairro Eldorado, um desfile de tranças, baile na Discoteca Etc, e uma exposição de quadros que contou com a participação de Daniel Firmino, Florêncio Pereira Duarte, Miguelavo ou Olavo Furtado Sales, do ator Mauricio Gomes e o Paulo Cesar cujo o sobrenome dele esqueci. Ele que tinha um irmão que trabalhava nos cinema do Curti. E na casa de Cultura exibimos um filme sobre o Feconezu -Festival Comunitário do Negro Zumbi. Foi uma boa experiência embora muita gente estava boicotando, mas tiramos de letra. Aqui recebemos pessoas de Campinas, Matão, Franca, Araraquara e de São Carlos e fomos convidados para participar do Feconezu de Campinas em 18 de novembro 1981. Primeira experiência comunitária. Éramos todos jovens inexperientes mas fomos nesta. Consegui o filme com o Niltão militante que trabalhava na Ufscar.

II Semab - Semana Afro-Brasileira, ocorreu entre os dias 6 a 14 de fevereiro de 1982 e teve início com uma competição esportiva no Ginásio António Natalone, envolvendo futsal e  basquete de São José do Rio Preto -SP, com Araraquara e Campinas. e neste dia 6 durante à noite tivemos o lançamento da Revista Ébano. Uma editora que deu os canos nos rio-pretenses.  Entregaram o primeiro numero para os assinantes depois sumiram. Além de uma Exposição de artes no Centro Cultural Professor Daud Jorge Simão, que contou com a presença de obras de Daniel Firmino, Florêncio Pereira Duarte e Évora Imbá, Nair Cunha que expôs artesanato, além de outros artistas. Coquetel e lançamento de LP da cantora e atriz Rosa Maria, conhecida nas novelas e revistas de arte.

N dia 7 domingo as 11 horas Missa em ação de graça no Santuário Nossa Senhora do Sagrado Coração com o padre Francisco Jansen o padre Chico. E que contou com o Coral da Fusocaab. Já às 14 horas uma competição esportiva no Ginásio Antônio  Natalone, E a noite um balé africano no Teatro Sinibaldi Neto. Uma decepção mandaram um grupo de dança japonesa. Achei estranho para uma semana afro brasileira. 

No dia 8 de fevereiro houve dois filmes que foram exibidos no Centro cultural provindo da Costa do Marfim. Fui eu quem foi buscar os filmes na embaixada em Brasília. Uns rolos extremamente pesados para carregar. Apenas 26 pessoas compareceram foi um dia de muita chuva.

No dia 9 de fevereiro houve a apresentação do Coral da Fusocaab no Teatro Municipal, regido por José Afonso Imbá.

Dia 10 de fevereiro, houve uma sessão solene na Câmara Municipal de São José do Rio Preto, sobre a comunidade Negra.

Dia 11 era para ter uma palestra com o Senador Valdon Varjão, mas ele mandou uma mensagem que não viria. Bem  era senador biônico desconfiou que faríamos talvez um debate deselegante  e não veio. No dia 12 Baile abrilhantado pelo Sexteto Brasileiro e Mário Santiago (falecido) no Club do Lago.

Dia 13 de fevereiro E quem fez uma palestra foi Eduardo de Paula. Sobre o Movimento Negro

 Quem estava no baile era o Guem o percussionista do Niger. E a cantora rio-pretense Teresa Rios(falecida). Guem  apresentou  dia 13 no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto e no Rio Preto Automóvel Club, ele que veio especialmente para nossa semana e tive o prazer de conhece-lo e almoçarmos no Restaurante Bom Pastor, que localizava na Rua Jorge Tibiriçá quase esquina com Rua Voluntário de São Paulo

E as festividade encerrou-se com uma competição de atletismo no Sesi  no dia 14 as 9: pela manhã.

E a essa programação foi possível graças a união da comunidade negra, a colaboração da secretario do Estado da Cultura, a Delegacia de Cultura e a Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto.

Essa história de quarenta anos do município de São José do Rio Preto -SP, precisa ser contada, entendida discutida éramos todos jovens. Na sua maioria estudantes, pensamos num cidade em que todas as escolas deveriam ser ensinar mais de uma língua como português, inglês, espanhol, francês e yorubá. Que todas as escolas deveriam ter arte e cultura negra. Éramos sonhadores. E parte desta história também registrei no livro de Aristides dos Santos escritos pela professora Niminon Suzel Pinheiro. Espero ter contribuído para o conhecimento e a reflexão social da população de São José do Rio Preto -SP.  E a história a gente não embrulha e leva para casa compartilha com os demais municipeis.


Manoel Messias Pereira

professor, poeta

São José do Rio Preto -SP.



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